ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA
ELEMENTOS DE ESCRITURA CIENTÍFICA
PROF. DR. ROBERTO LEISER BARONAS
24 AGO. 2009 (POSTAGEM EM 30 AGO. 2009)
CRISTINA APARECIDA MOTTA
RESENHA: LEITURA RECOMENDADA
Gondim, Linda M. P.; Lima, Jacob L. A Pesquisa Como Artesanato Intelectual: Considerações Sobre Método e Bom Senso. São Carlos: EDUFSCar, 2006. 88 p. R$ 20,00 (Doação em 14 de março de 2007)
Linda Maria de Pontes Gondim é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade de Cornell (EUA). Realizou o pós-doutorado em Estudos Urbanos na Universidade de Maryland (EUA). É professora do Departamento de Ciências Sociais e vinculada também ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará. Publicou os livros ‘Clientelismo e Modernidade nas Políticas Públicas: Os Governos das Mudanças no Ceará (1998) e ‘Uma Dama da Belle Époque de Fortaleza (2001); organizou as coletâneas ‘Planos Diretores: Novos Tempos, Novas Práticas’ (1990) e ‘Pesquisa em Ciências Sociais: O Projeto de dissertação de Mestrado’ (1999).
Jacob Carlos Lima é graduado em Ciências Políticas e Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Realizou o pós-doutorado em Estudos Urbanos e do Desenvolvimento no Massachussetts Institute of Technology (EUA). É Professor Titular no Departamento de Sociologia e vinculado também ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos. Publicou os livros ‘As Artimanhas da Flexibilização: o Trabalho em Cooperativas de Produção Industrial’ (2002) e ‘Trabalho, Mercado e Formação de Classe’ (2006); co-organizou as coletâneas ‘Trabalho, Sociedade & Meio Ambiente’ (1997), ‘Cultura & Subjetividade’ (1996) e ‘Política, Cidadania & Violência’ (1998).
Os autores, desde a Introdução, destacam a importância da pesquisa que inicia por meio de uma ação bem simples: o estudo.
O desafio constante de qualquer professor é despertar o interesse dos alunos para a metodologia de pesquisa. E muitos alunos só passam a ter contato com ela quando começam a elaborar suas dissertações ou teses, época em que terão a experiência prática de investigação e de redação de textos científicos mais complexos.
O ensino da escrita é função do ensino fundamental, porém em muitos casos essa habilidade passa pela graduação e só vai ser aprendida na pós-graduação. Assim, é no mestrado ou doutorado que o aluno terá dois aprendizados: o da escrita e o da pesquisa.
Na pesquisa, originalidade não significa estudar algo novo ou desconhecido, e sim utilizar novas abordagens na análise dos problemas, sugerir questões inéditas e apontar elementos desconsiderados em outras abordagens.
Características de um bom pesquisador:
- o gosto pelo trabalho acadêmico;
- curiosidade;
- disciplina.
Pesquisa é um ato criador: permite o acesso a produção do saber.
O pesquisador ideal reconhece a importância da reflexão teórica e do contato direto ou indireto com o mundo empírico (analisar dados primários ou secundários). É capaz de combinar autoconfiança com autocrítica, mantendo atitude respeitosa. Lê habitualmente e relaciona a leitura as suas inquietações intelectuais, a sua pesquisa.
A escolha do orientador é uma das etapas fundamentais para a realização de uma pós-graduação. O primeiro aspecto a ser considerado é o conhecimento teórico e a experiência de pesquisa do professor em relação ao tema escolhido. O orientador facilitará o acesso à bibliografia e ajudará na escolha da metodologia. Porém, não é função do orientador resolver os problemas do trabalho do aluno.
O orientador ideal é aquele que é acessível aos alunos e também rigoroso em relação à qualidade do trabalho. E embora o papel do orientador seja fundamental, o projeto e a pesquisa são trabalhos do aluno. A função do orientador é a de fazer com que os alunos tirem suas próprias conclusões sobre como resolver seus problemas.
Um dos aspectos mais importantes do “artesanato intelectual” (a pesquisa) refere-se a difícil arte de escrever com clareza, seguindo a norma padrão e o estilo exigido. É um aprendizado demorado que depende de esforço e treino.
Erros gramaticais são mais fáceis de identificar e corrigir, mas podem prejudicar a compreensão das idéias do autor. É necessário por parte de quem escreve, um esforço no sentido de apresentar as idéias e análises com clareza, concisão e coerência, de modo a facilitar a compreensão do texto. Quem escreve não pode esperar que os leitores adivinhem o que se quer dizer.
O projeto de pesquisa é uma ferramenta indispensável ao bom andamento de todas as etapas da atividade de investigação. Deve ser preparado considerando dois objetivos principais: orientar a investigação a ser feita e comunicar a outrem o que se pretende fazer. E a linguagem utilizada deve seguir o padrão gramatical, evitando o uso de jargão e outros efeitos estilísticos, seguir as regras de apresentação de trabalhos científicos, principalmente as relativas a citações, notas de rodapé e referencias bibliográficas. É desejável ainda, que não ultrapassem a extensão de 20 páginas.
O interesse do aluno deve ser o primeiro critério para a escolha de um tema. O segundo critério é a relevância do objeto a ser investigado.
Lembrando que não se deve confundir ‘tema’ com ‘objeto’ de pesquisa. O tema tem caráter mais amplo e constitui a área de interesse do pesquisador; já o objeto é um “recorte” do tema, a partir de uma problematização do que se quer investigar.
Mesmo que o tema seja considerado importante, nem toda pesquisa sobre ele será relevante. Por outro lado, um objeto aparentemente banal pode tornar-se importante, dependendo do enfoque do pesquisador.
Antes de consultar fontes muito abrangentes, publicações teóricas ou estudos descritivos, é conveniente pedir a especialistas indicações de leituras básicas, a fim de identificar obras citadas pelos autores consultados. Teses e dissertações defendidas, resenhas e ensaios bibliográficos constituem um bom ponto de partida.
É essencial intercalar as leituras com reflexões pessoais.
Uma dissertação ou tese concluída não pertence mais somente ao seu autor ou a instituição em que foi realizada, ela agora é publica, deve ficar a disposição da sociedade como um todo.
Embora o livro cite o curso de Ciências Sociais, identificamos na sua abordagem problemas típicos de todos os programas de pós-graduação. Sua leitura é rápida e fácil, destacando somente alguns termos utilizados que tivemos que consultar seus significados na internet: ‘epistemológico’, ‘bricolagem’, ‘heurística’ e ‘empírico’, sendo que este ultimo verbete consta do dicionário disponível (Minidicionário Luft, 15ª edição. Editora Ática, 1998).
O livro detalha os passos para uma boa pesquisa: os itens que devem ser pontuados para definição do objeto de pesquisa, a forma como deve ser preparado o projeto de pesquisa, os cuidados com a redação, o relacionamento com o orientador, entre outros assuntos relacionados.
Na nossa opinião deveria ser literatura obrigatória a partir da graduação.
REFERÊNCIAS:
BARONAS, R. L. Elementos de Escritura Científica. São Carlos: UFSCar, 2009. p. 28.
EMPÍRICO. In: Minidicionário Luft. São Paulo: Editora Ática, 1998. p. 688.
BRICOLAGEM. In: Babylon Ltda: no ar desde 1997. Disponível em
EPISTEMOLOGIA. In: Babylon Ltda: no ar desde 1997. Disponível em
HEURÍSTICA. In: Babylon Ltda: no ar desde 1997. Disponível em
MODELO RESENHA 2008. Preparado pelo Prof. Roberto Antônio Hoffmann (Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória-UNIUV - PR). Disponível em
FAZENDO UMA RESENHA. Preparado pelo Prof. Dr. Pedro Cezar Dutra Fonseca (Departamento de Ciências Econômicas/UFRGS). Disponível em
DIRETRIZES PARA APRESENTAÇAO DE DISSERTAÇOES E TESES DA USP: DOCUMENTO ELETRONICO E IMPRESSO. Preparado pelo Grupo DiTeses (Sistema Integrado de Bibliotecas – SIBi/USP). Disponível em

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